RIO DE JANEIRO – RJ
Você escuta as músicas do EP “Estrangeiro”, que a carioca Lemak lança agora em todas as plataformas digitais, e consegue enxergar os músicos em uma sala de ensaio compondo as canções, tamanha é a perícia que alcançaram no pop rock com uma receita perfeita em melodia, harmonia, letras e arranjos.
O trabalho sai pelo Midas Music e traz uma mudança na formação do grupo em relação ao EP anterior – João Rufus assumiu as baquetas e completam a formação Diogo Berlim no vocal, Jimmy na guitarra, Digão no baixo e Duds Bemol no teclado e violino.
A mudança maior vem na filosofia do grupo nesses oito anos de existência, que culmina com as duas músicas que são lançadas.
Eles nasceram como diamante bruto no Rio de Janeiro, em um new rock sem fronteiras, que abrigava de baião a samba na mistura. Foram lapidando o som, refinando a forma de trabalharem até culminar no single que carrega o nome do EP, “Estrangeiro”, onde todos os caminhos anteriores convergem para o atual.
“Já me sinto forasteiro/No calor de 40 graus/(…)O Rio de Janeiro é bem mais que o Cristo e o Arpoador”, canta Diogo numa condução de balada de violão. Os instrumentos entram em camadas, piano, guitarra, navegando para o pop rock em sua essência que foi comentado no início do texto.
A produção de Giu Daga é um chute certeiro no ângulo, harmonizando os elementos na medida certa, sob a direção artística de Rick Bonadio.
Na fórmula antiga de composição, cada integrante era livre para vir com ideias e contribuições, quase como laboratório musical. Não que fosse um método anárquico, mas eles perceberam que encontrariam a liga correta quando sentassem juntos e seguissem a mesma bússola.
Isso é explícito em “Estrada”, que é outro pop rock com riff de guitarra, marcação de baixo e bateria e vocal que serpenteia entre o bloco sonoro. Cabe até o violino de Duds em momento solo na canção.
Sabe o tipo de música que você poderia até desnudar de seus elementos de arranjos e agregados e que mesmo assim ela pararia em pé, com a força de canção que se sustenta no próprio esqueleto? Pois é o que o Lemak atingiu agora.